MAÇÃO – Concelho participa no life-relict – preservação da Laurissilva

MAÇÃO – Concelho participa no life-relict – preservação da Laurissilva

O Life-Relict – “A preservar as relíquias da Laurissilva Continental” – é um projeto que visa melhorar substancialmente o estado de conservação dos azereirais e adelfeirais em Portugal. Estas duas comunidades de plantas são relíquias da vegetação de outrora, quando o clima na Península Ibérica, há muitos milhões de anos, era subtropical, e, dada a sua raridade, a União Europeia classificou-as como habitat prioritário para a conservação, com o código 5230* e descrição de Comunidades Arborescentes de Laurus nobilis, no Anexo I da Diretiva Habitat (92/42/CEE). Este Projeto transnacional, financiado pelo Programa LIFE da União Europeia e coordenado pela Universidade de Évora, visa preservar a componente ainda residual da Floresta Laurissilva no Continente, designação por que é conhecida a floresta húmida subtropical, composta maioritariamente por árvores da família das lauráceas, que há 20 milhões de anos ocupava praticamente toda a área da atual bacia do Mediterrâneo. O azereiro (Prunus lusitanica subsp. lusitanica) – nas imagens – é uma das poucas espécies sobreviventes, uma árvore rara, nativa da Península Ibérica, Pirenéus franceses e Norte de África, considerada em Perigo de Extinção pelo IUCN.

Esta árvore pertence à mesma família das rosas e é considerada uma relíquia paleotropical, ou seja, terá feito parte da vegetação de folha persistente e lauróide (Laurissilva) que ocupou a Península Ibérica durante a época Terciária, quando aqui existia um clima do tipo subtropical. As alterações geológicas que tiveram lugar no final do Terciário e durante o Quaternário, que levaram à instalação do clima mediterrâneo (marcado por um período seco bem definido) na Península Ibérica e a períodos críticos de arrefecimento, foram responsáveis pelo quase desaparecimento da floresta de Laurissilva peninsular. Contudo, alguns dos seus elementos conseguiram sobreviver, refugiando-se em territórios com clima muito especial (climas húmidos e não muito frios, pouco afetados por geadas), onde permanecem até à atualidade. As comunidades nativas de azereiro, os azereirais, são muito raros. Estão presentes de forma muito pontual na Península Ibérica, onde se encontram, na maioria dos casos, em mau estado de conservação. Em Portugal podem ser encontrados em alguns vales encaixados do centro e norte de Portugal, em zonas com importante precipitação no estio, que em algumas situações é compensada pela presença de nevoeiros durante o Verão. Atualmente, este habitat está pouco representado na Península Ibérica, encontrando-se fragmentado, disperso e em mau estado de conservação, por enfrentar graves problemas de expansão e ameaças à sua preservação. Mação é o Concelho mais meridional da País continental onde é possível encontrar esta relíquia, ainda em número significativo, especialmente nas zonas mais húmidas. Há anos que, de uma forma empírica, a Câmara Municipal tem preservado algumas destas preciosidades, existindo algumas boas espécies mesmo na Vila, como se pode constatar junto da GNR ou na Escola Fixa de Trânsito. Na atualidade, em parceria com a Universidade de Évora, a Câmara Municipal de Mação intenta reproduzi-la em viveiro, de forma a plantá-la em grande número nas áreas que representem o seu habitat natural, fazendo parte integrante do Projeto de Transformação Territorial que há anos Mação propõe aos Governos, denominado atualmente Plano de Reordenamento e Gestão da Paisagem, que se anseia e se prepara para o território de Mação. Mação pretende desenvolver e viabilizar os seus recursos e potencialidades, mas não esquece que é possível e desejável rentabilizar o seu território através da exploração dos seus recursos naturais e produtivos, mantendo incólume a sua vetusta história e opulento património cultural!